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Guilherme Abbud aponta caminhos para ciclo de crescimento do Brasil em palestra no Centro Empresarial

14/08/2026

Guilherme Abbud aponta caminhos para ciclo de crescimento do Brasil em palestra no Centro Empresarial

Encontro que reuniu associados, empresários e comunidade proporcionou um amplo debate sobre juros, inflação, dólar, eleições e boas perspectivas para a economia brasileira.

A noite do dia 13 de agosto, quinta-feira, no Centro Empresarial de Flores da Cunha foi de casa cheia para assistir a palestra “Inflação, Eleições e Dólar: onde estão as oportunidades?”, com o economista e executivo Guilherme Abbud. Promovido pelo Centro Empresarial, com apoio da FAMI Capital e da Persevera Asset Management, o encontro levou ao público uma análise direta sobre o momento econômico brasileiro e terminou com intensa participação dos presentes, que aproveitaram o espaço para aprofundar o debate com o especialista através de muitos questionamentos.

Ao longo da palestra, Abbud apresentou uma leitura otimista sobre as condições estruturais e as reformas pelas quais o país já passou. Para o economista, o Brasil não deve ser visto como uma economia absolutamente disfuncional e, quando comparado a outros países emergentes, possui condições competitivas semelhantes, mas carrega um elemento que faz a grande diferença no cenário nacional: o elevado patamar das taxas de juros.

Segundo a análise apresentada pelo especialista, enquanto diversas economias emergentes convivem com juros em níveis consideravelmente menores, o Brasil permaneceu por muitos anos operando com taxas elevadas. Na avaliação de Abbud, essa característica fez com que o país se tornasse excessivamente dependente daquilo que classificou como uma “muleta” dos juros altos para controlar a inflação.

 

Disciplina fiscal e respeito às regras

Ao revisitar decisões econômicas das últimas décadas, Abbud apontou a instituição do teto de gastos como um dos grandes divisores de águas da política econômica brasileira. Ele também citou nomes como Henrique Meirelles e Paulo Guedes ao abordar períodos em que, na sua avaliação, houve grande compreensão sobre a necessidade de combinar responsabilidade fiscal e previsibilidade econômica.

Para o especialista, mais importante do que criar novas regras é respeitar os mecanismos que já foram institucionalizados. Sinais de que um governo pretende ampliar gastos além dos limites previstos aumentam a percepção de insegurança e dificultam a redução estrutural dos juros, explicou.

Abbud também ponderou que a situação fiscal brasileira, embora exija atenção, não coloca o país automaticamente diante de um cenário de insolvência. Na sua leitura, o Brasil realizou reformas relevantes e positivas, o que contribuiu para construir mecanismos institucionais importantes ao longo dos últimos anos, criando condições para avançar, caso consiga preservar essa trajetória.

 

Da “muleta” dos juros a um ciclo de investimentos

Um dos principais pontos defendidos durante a palestra foi a possibilidade de o Brasil iniciar gradualmente um processo de convivência com juros mais baixos e próximos aos praticados em outras economias emergentes. Abbud reconheceu que uma transição dessa natureza pode provocar períodos de maior pressão e instabilidade momentânea sobre o câmbio, mas avaliou que esse movimento tende a ser temporário.

A experiência de outros países foi utilizada pelo economista para demonstrar que juros mais baixos podem, posteriormente, favorecer a chegada de investimentos mais sólidos, produtivos e rentáveis. Segundo Abbud, ao romper o ciclo de juros elevados, o país pode substituir uma dinâmica viciosa por um ciclo virtuoso, em que menor custo de capital, novos investimentos e crescimento econômico passam a se retroalimentar.

Dentro desse cenário, o especialista apresentou uma perspectiva positiva para os próximos anos. Na sua avaliação, caso o Brasil consiga preservar a responsabilidade fiscal, respeitar suas instituições e avançar para níveis mais equilibrados de juros, há espaço para que o crescimento econômico supere os índices históricos recentes e alcance patamares mais próximos de 3,5% a 4% ao ano.

Abbud resumiu essa visão ao defender que “a solução técnica existe”. Entre os elementos citados por ele estão a independência do Banco Central, juros mais “civilizados”, respeito às regras fiscais e continuidade de uma condução econômica baseada em critérios técnicos. Para o economista, essas condições permitem considerar que os próximos dez anos possam ser melhores para o país do que a década anterior.

 

Público amplia o debate

A participação do público ganhou destaque especialmente na etapa dedicada às perguntas. Empresários e profissionais presentes levaram ao palestrante questões sobre economia, investimentos, juros, câmbio e os possíveis reflexos das decisões políticas sobre os negócios, prolongando e aprofundando alguns dos assuntos apresentados durante a exposição.

Representantes da FAMI Capital, parceira na realização do encontro e responsável por aproximar o palestrante da entidade, destacaram o alto nível das perguntas feitas ao especialista. A interação reforçou o caráter do evento como um espaço não apenas de apresentação de cenários, mas também de troca qualificada entre o mercado financeiro e a comunidade empresarial local.

A realização integra a programação do Centro Empresarial voltada à aproximação dos associados e da comunidade com temas que interferem diretamente na tomada de decisões dentro das empresas. Ao trazer diferentes leituras sobre o ambiente econômico para discussão, a entidade busca oferecer informação e repertório para que empresários estejam mais preparados para interpretar cenários, avaliar riscos e identificar oportunidades.

 

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